


Há experiências que não se contam apenas, vivem-se. O Tivoli Kopke Hotel, em Vila Nova de Gaia, é uma dessas descobertas que ficam gravadas na memória como um perfume antigo. Um refúgio sofisticado, onde o tempo abranda e o Douro dita o compasso das horas.
O restaurante Boa Vista, situado no interior do hotel, é um convite à pausa e à celebração. O nome faz jus à promessa, a vista panorâmica sobre o rio é deslumbrante, mas é à mesa que a verdadeira magia acontece. A carta, contemporânea, mas fiel às raízes portuguesas, celebra o sabor, o produto e a estação, num equilíbrio perfeito entre criatividade e conforto.
O jantar começou com os croquetes de presunto (8€), dourados e macios, daqueles que nunca chegam… Um clássico, executado com precisão e alma. Seguiu-se a beringela assada com sobrasada, queijo da ilha, sementes de girassol e mel (17€), uma combinação improvável que resulta numa explosão de sabor. O toque fumado da sobrasada e o queijo da ilha criam uma harmonia rica, que prende o paladar logo à primeira garfada.

O prato principal foi o arroz de galo (29€) e é difícil descrever o conforto que vem num prato destes. Rico, e cheio de sabor, é a expressão de uma cozinha que respeita a tradição sem deixar de olhar em frente. Cada garfada lembra o calor da comida de casa, mas com a sofisticação que se espera de um restaurante que entende o tempo e o sabor.
Para terminar, chegaram duas sobremesas que merecem aplausos: a pavlova de frutos vermelhos (9€) e a rabanada de coco caramelizada (10€). A primeira, leve e delicada, equilibra o doce com mestria, a segunda, quente e envolvente, é puro conforto, uma rabanada que se transforma em indulgência.
Tudo isto acompanhado por uma sangria de espumante divinal, fresca, aromática e perfeita para prolongar a conversa até que o Douro se confunda com o luar.
No Boa Vista, percebe-se que o luxo está nos detalhes, na luz suave, no serviço atencioso mas discreto, na serenidade de um jantar que se vive sem pressa. É uma experiência que apela aos sentidos e à memória, uma celebração da gastronomia portuguesa contemporânea com alma e elegância. Um jantar onde o tempo abranda e o sabor fala mais alto.
Artigo por Carla Silva

