
Na Vidigueira o vinho não se bebe apenas, vive-se e faz parte das conversas à mesa, das memórias de família, do ritmo das vindimas e da própria paisagem. Esta ligação à vinha atravessa gerações e, entre 11 e 13 de setembro, ganha uma nova forma de ser celebrada com a primeira edição do Vidigueira Wine Festival.
Com curadoria da Casa Pereirinha e o apoio da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, o festival nasce com uma ideia simples, levar quem chega à Vidigueira a conhecer o vinho para lá do copo.
Muito mais do que juntar produtores e promover provas, o objetivo passa por abrir as portas das adegas, entrar nas vinhas, conhecer quem trabalha a terra e perceber tudo aquilo que existe antes de uma garrafa chegar à mesa.
“Queremos que as pessoas sintam emoções, que sintam a terra”, explicou Diogo Freire de Andrade, promotor da iniciativa, durante a apresentação do evento.
E é precisamente esse mesmo lado mais próximo e sensorial que atravessa o programa. Durante três dias, vai ser possível visitar adegas, participar em provas comentadas, pisar uvas à moda antiga ao som do Cante Alentejano, fazer piqueniques entre vinhas, descobrir a gastronomia da região, assistir a sunsets vínicos e ouvir música ao vivo.
Haverá ainda espaço para experimentar o outro lado do vinho, através de atividades os participantes poderão assumir, ainda que por algumas horas, o papel de enólogo, provar diferentes lotes, fazer escolhas e criar o seu próprio vinho.
Ao Vidigueira Wine Festival juntam-se 14 produtores e projetos vínicos, entre os quais Quinta do Quetzal, Herdade do Rocim, Ribafreixo Wines, Casa Relvas, Herdade Grande, Quinta do Paral, Zé Galante, Mafia Wine, Gerações da Talha e Adega Cooperativa da Vidigueira.
E talvez seja precisamente essa mistura de histórias e gerações que melhor explica o vinho da região. Existem casas com décadas de história, projetos recentes, produtores que mantêm viva a tradição do vinho de talha e outros que procuram novas formas de trabalhar e apresentar o vinho. Diferentes caminhos, mas uma ligação comum à terra onde tudo começa.Durante a apresentação do festival, o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Santos, destacou também a importância crescente das iniciativas empresariais na criação de novos motivos para visitar a região, lembrando o papel determinante que o vinho tem vindo a assumir na promoção turística do Alentejo.
“É cada vez mais preciso adicionar à excelência do património e à beleza da paisagem aquilo que são conteúdos, aquilo que são eventos”, afirmou José Santos, salientando que a região tem sido particularmente dinâmica nesta área, tanto por iniciativa dos municípios como do setor privado.
E, neste contexto, o vinho assume um lugar especial. “O mundo do vinho tem tido um papel muito relevante”, sublinhou o responsável, destacando a capacidade do setor para criar experiências e acrescentar novos motivos para conhecer o território.
José Santos fez ainda questão de valorizar o facto de o Vidigueira Wine Festival nascer da iniciativa privada. “Com muita satisfação vejo um projeto de natureza empresarial, obviamente com o apoio do município, do Turismo do Alentejo. Nós gostamos de apoiar, de dar valor e de alavancar todas as iniciativas”, referiu.
No fundo, o Vidigueira Wine Festival propõe três dias para caminhar por entre vinhas, entrar numa adega sem pressa, conversar com quem produz, ouvir histórias, sentar-se à mesa e provar o território.
Porque, na Vidigueira, cada vinho começa muito antes de chegar ao copo. Começa na paisagem, nas mãos de quem trabalha a vinha, nas famílias e nas histórias que passam de geração em geração.
E é esse Alentejo que o festival convida a descobrir.
Artigo por Carla Silva

