


As crianças portuguesas estão a passar muito mais tempo em frente a ecrãs do que o recomendado internacionalmente. De acordo com dados nacionais:
A Saluslive, referência nacional em intervenção pediátrica, avança com as recomendações internacionais, que são claras: não mais do que 60 minutos diários para os mais novos e até 2 horas diárias para os mais velhos. Ou seja, a maioria das crianças portuguesas já ultrapassa largamente os limites considerados seguros.
O uso excessivo de ecrãs, reforça a Saluslive, está associado a ansiedade, depressão, défice de atenção e risco de dependência digital. No plano social, conduz ao isolamento, dificuldades de comunicação e menor capacidade de empatia e cooperação.
Fisicamente, promove o sedentarismo, a obesidade, distúrbios do sono, problemas de visão e de postura. Estes impactos são agravados quando o tempo de ecrã substitui atividades essenciais como a brincadeira, o convívio familiar e o sono adequado.
“Estamos a assistir ao crescimento de uma geração menos sociável e com maiores dificuldades emocionais. Se nada mudar, daqui a 5 ou 10 anos veremos jovens com mais problemas de saúde mental, menor capacidade de adaptação escolar e profissional e com doenças físicas crónicas associadas ao sedentarismo e ao mau uso da tecnologia”, alerta Raquel Cunha, diretora clínica da SalusLive.
A SalusLive sublinha que há fases de maior vulnerabilidade:
A SalusLive considera fundamental a atuação de pais e escolas:
Para a SalusLive, se nada for feito, Portugal arrisca-se a criar uma geração menos sociável, com mais dificuldades emocionais e profissionais. “Estamos a falar de jovens menos preparados para cooperar, liderar, gerir frustrações ou resolver conflitos. A médio prazo, isso terá reflexos não apenas individuais, mas também sociais e económicos”, acrescenta a Raquel Cunha.
De acordo com a Sociedade Portuguesa de Pediatria, os limites seguros devem ser:
Enquanto entidade dedicada à promoção da saúde infantil, a SalusLive atua através de formação, consultoria e sensibilização de pais, escolas e educadores. Está já a preparar programas educativos e workshops para apoiar famílias e comunidades escolares na adoção de regras claras e hábitos mais saudáveis.
“É tempo de devolver às crianças o direito de brincar, conviver e sentir-se parte de um grupo real. Mais do que ecrãs, elas precisam de tempo connosco, com os seus pares e com o mundo físico”, conclui a mesma fonte.

