

Entrar no Hygge Kaffe é aceitar um convite para ficar. Longe da pressa do dia a dia, o café é apenas o ponto de partida para manhãs que se estendem, portáteis que se abrem e conversas que fluem sem qualquer urgência em sair.
Numa conversa com a New Woman, Joana Ribeiro, co- founder do Hygge Kaffe, explicou como uma viagem a Copenhaga inspirou um projeto profundamente português, embora assente numa das filosofias mais conhecidas da cultura dinamarquesa.
Hygge representa uma forma de viver associada ao conforto, à partilha, ao bem-estar e ao prazer de aproveitar os pequenos momentos do quotidiano. Foi precisamente essa sensação que Joana Ribeiro e o seu sócio quiseram transportar para Portugal.
O projeto começou no alojamento, através de guest houses, e chegou mais tarde à restauração. Em 2019, abriu o primeiro Hygge Kaffe, em Picoas, no coração das Avenidas Novas. Seguiu-se uma segunda morada na Baixa e está já prevista a abertura de um terceiro espaço em setembro.

Uma mesa onde cabem diferentes rotinas
Ao longo do dia, o ambiente do Hygge Kaffe vai mudando. De manhã, chegam sobretudo turistas que preferem descobrir Lisboa fora dos pequenos-almoços dos hotéis, à hora de almoço, encontram-se moradores da zona, pessoas que trabalham nos escritórios próximos e clientes que regressam diariamente há vários anos.
“Temos pessoas que vêm cá almoçar todos os dias, religiosamente, há anos”, contou Joana Ribeiro, destacando a comunidade que se foi formando em torno do espaço.
Durante a tarde, as mesas recebem estudantes, conversas demoradas e computadores abertos. O objetivo é que alguém possa entrar sozinho sem se sentir deslocado, uma ideia que ganhou ainda mais significado com o crescimento do trabalho remoto.
A equipa tem um papel importante nessa proximidade, Joana Ribeiro, cuja experiência profissional passou pela gestão de equipas de customer service, reconhece que esse percurso ajudou a construir uma visão centrada no cuidado, no atendimento e na arte de bem receber.
Mais do que servir refeições, o Hygge Kaffe quer criar um ambiente onde cada pessoa se possa sentir confortável, independentemente do momento do dia ou de chegar sozinha ou acompanhada.
O verão, sem fundamentalismos
A carta acompanha essa filosofia de equilíbrio, o Hygge Kaffe assume-se como um espaço ligado ao universo do brunch e do wellness, mas sem que as regras sejam rígidas.
“Não somos fundamentalistas do saudável”, explicou a co-founder, a intenção é garantir que pessoas com gostos diferentes encontrem sempre alguma coisa que lhes agrade, desde propostas vegetarianas e opções mais leves até bolos e outros pequenos prazeres.
Para acompanhar os dias mais quentes, a marca criou agora um menu de verão de edição limitada, disponível até setembro, que junta cor, frescura e ingredientes funcionais.

Os novos sumos são os protagonistas. O Tan/10 combina cenoura, laranja e gengibre, enquanto o Hot Girl Hydrator mistura melancia, laranja e cenoura numa bebida leve e refrescante. Já o Ironic junta espinafres, beterraba e cenoura, numa proposta pensada para dar um impulso extra aos dias que começam cedo e acabam tarde. Cada sumo tem o preço de 4,50 euros.
Entre as novidades doces encontra-se um iogurte de matcha, preparado com matcha cerimonial, iogurte grego, banana, frutos vermelhos, pistácio e mel, e um pudim de chia e manga, acompanhado por sementes de abóbora, amêndoa laminada e mel.
Para uma refeição leve, surgem ainda três lettuce wraps, de frango, camarão e vegan, nos quais a alface-romana substitui o tradicional wrap de trigo. Crocantes, sem glúten e frescos, procuram ser uma alternativa prática e saciante para os dias quentes de verão.
O próximo capítulo começa ao fim da tarde
Na futura morada, o Hygge Kaffe quer prolongar a experiência até ao início da noite, apostando no conceito de early dinner e num horário mais alargado.

O novo espaço deverá também receber música ao fim da tarde, atividades, aulas de Pilates e lojas pop-up com marcas convidadas. Segundo Joana Ribeiro, a intenção é criar uma programação regular que permita às pessoas reconhecerem-se no espaço e sentirem que fazem parte da comunidade.
Para já, a co-founder prefere avançar um projeto de cada vez, mas não esconde o entusiasmo por uma nova etapa que promete reunir toda a experiência adquirida desde a abertura do primeiro espaço.
Porque, no final, o Hygge não está apenas no matcha, no café ou numa mesa bonita, está na sensação de encontrar um lugar onde existe sempre alguma coisa de que gostar e onde nunca há demasiada pressa para sair.
Artigo por Carla Silva

