

O Hotel Horta da Moura, no coração do Alentejo e a poucos minutos das muralhas medievais de Monsaraz, é daqueles lugares que não precisam de grandes artifícios para conquistar quem chega. Talvez porque tudo ali parece genuíno. Sem exageros, sem pressa e sem aquela necessidade moderna de impressionar.
Logo quando chegamos percebeu-se o ambiente tranquilo que envolvia toda a propriedade. As paredes brancas, o rústico da decoração, as madeiras antigas e o silêncio criaram logo uma sensação imediata de abrigo. As oliveiras milenares espalhadas pela herdade, são sombras perfeitas para os dias mais quentes e uma paisagem aberta que prolonga o Alentejo até perder de vista.
Os cerca de 27 quartos estão distribuídos entre o edifício principal e zonas mais reservadas da propriedade, sempre com aquela sensação confortável de refúgio discreto. Mesmo estando o hotel composto, continua a existir uma calma difícil de encontrar.
Mas é impossível falar da Horta da Moura sem se referir a piscina infinita. A vista aberta sobre a paisagem alentejana, o silêncio interrompido apenas pelos pássaros e a temperatura mais fresca ao final da tarde tornam aquele espaço quase viciante. Daqueles sítios onde uma pessoa se senta “só cinco minutos” e acaba por ficar horas.
Ao sábado, entre as 12h00 e as 15h00, há outro motivo para parar ali sem pressas, o brunch alentejano servido no restaurante do hotel. E percebeu-se rapidamente que não se tratava apenas de uma refeição, mas quase de uma celebração da cozinha tradicional alentejana.
A mesa das entradas surge cheia de cor e sabor, com várias saladas frescas, queijo com doce, croquetes, torresmos e pão alentejano. Depois chegam as tentações, pataniscas leves, crocantes e também viciantes, salada de favas, grão com bacalhau, salada de pimentos e batata, tudo servido com aquele sabor caseiro.
Nos pratos quentes, destacam-se o bacalhau à Brás, o entrecosto com migas de batata e uma sopa de beldroegas com queijo e ovo simplesmente memorável, rica, reconfortante e profundamente alentejana.
Já na mesa das sobremesas, a dificuldade é escolher entre arroz doce, sericaia, pudim de ovos e torta de laranja. Doces tradicionais, impossíveis de resistir e…não repetir!
Mas talvez o verdadeiro encanto da Horta da Moura esteja precisamente nos detalhes mais simples. Na simpatia genuína da equipa, sobretudo na forma calorosa e descontraída como a Lígia e o João nos receberam desde o primeiro momento, na tranquilidade constante que se sente em todo o espaço e naquela sensação familiar cada vez mais difícil de encontrar.
É simplesmente um lugar onde tudo parece mais leve e mais próximo daquilo que realmente importa.
Artigo por Carla Silva

