Como interpretar os rótulos dos alimentos? A nutricionista Iara Rodrigues explica

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Como interpretar os rótulos dos alimentos? A nutricionista Iara Rodrigues explica

A New Woman esteve à conversa com a nutricionista Iara Rodrigues que nos ajudou a perceber o que é que deve ser tido em conta na escolha dos alimentos.

Quem nunca chegou ao supermercado determinado a dar início a uma rotina alimentar saudável mas debateu-se com os rótulos dos produtos atire a primeira pedra.

A nutricionista Iara Rodrigues ajudou a clarificar o quebra-cabeças, que é a tabela de informações nutricionais, e aconselhou a recorrer-se ao descodificador de rótulos disponível no site ‘Nutrimento’ da Direção-Geral de Saúde (DGS), um portal específico de nutrição. “É uma grande cábula e serve para todos os alimentos. Ajuda-nos a perceber se aquele produto é razoável, médio ou perigoso”, disse. E serve também para todas as pessoas: “Vamos imaginar que está tudo verde e o sal está no amarelo, então se calhar alguém que tenha tensão alta, tem de questionar aquele produto, embora seja de forma geral saudável.”

Mas não foi assim que começou a entrevista. Iara Rodrigues deixou claro, de imediato, que é mais fiel à lista de ingredientes, em comparação com as tabelas nutricionais. Porquê? Por um lado porque “há uma transparência legal e fiscal que obriga à descrição minuciosa de cada um desses ingredientes” e, por outro, “porque consta o que está em maior quantidade para o menor”, tornando-se mais claro. Ou seja, “nessa lista, se nos primeiros três ingredientes, que normalmente compõem 80% dos produtos, forem encontradas gorduras e açúcares, já está validada a qualidade do produto como não sendo a mais adequada”.

Por sua vez, considerou que a informação nutricional nem sempre é tão pormenorizada e as marcas podem limitar-se a detalhar o que é obrigatório por lei, tais como as calorias, as gorduras/lípidos, os hidratos de carbono, as proteínas, o sal e a fibra, constituindo-se, por isso, outra desvantagem. Assim, para demonstrar que a lista de ingredientes consegue ser mais completa a nutricionista trouxe para a conversa os produtos artesanais, que só têm nas suas tabelas os mínimos a que são obrigados.

A omissão da informação nutricional e a denúncia da lista de ingredientes

Acresce ainda facto de que a tabela nutricional pode não ser coincidente com a lista de ingredientes. Prova disso é a Coca-Cola 0. “Quando diz ‘não tem adição de açúcares’, pode não ter açúcar branco, mas tem outros componentes que são açúcar. Isto é, coloricamente falando, não tem expressão energética, e portanto vai aparecer um 0 na tabela nutricional, mas na lista de ingredientes aparecem edulcorantes”, refere. Assim “o meu corpo vai reagir como se fosse uma fonte de açúcar e, consequentemente, o meu pancreas vai funcionar mesmo não estando a receber calorias”, explicou Iara Rodrigues.

Desta forma, a nutricionista sublinhou que, pondo lado a lado uma Coca-Cola clássica e uma Coca-Cola light, em termos de ingredientes não há grandes diferenças, “a questão é que substituiram o açúcar adicionado por um edulcorante”. Mas Iara alerta que pode até fazer pior já que “o açúcar é mau mas ainda é uma fonte natural, o edulcorante é um produto químico”.

“Há muitos produtos que têm escrito na embalagem ‘sem açúcar’, ‘sem glúten’, ‘sem lactose’. Isso é muito aliciante e é exatamente o papel do marketing nos produtos mas depois vamos a ver e o produto que era super saudável, só tem conservantes e corantes”, disse a nutricionista.

Ora, há um esforço por parte das marcas para que as estratégias de marketing induzam em erro?

“Não diria tanto esforço porque está tudo exposto no rótulo. Mas aproveitam alguma falta de alfabetização para impingirem algumas coisas que lhes convém”, explica. É neste sentido, que Iara referiu a importância da rotulagem na educação. Embora reconheça que há, no entanto, um avanço, também relembrou que a maioria dos pais, que não tiveram a mesma oportunidade nos seus tempos de escolaridade, continuam a ser os consumidores diretos.

Afinal, o que é comer bem?

É uma pergunta que tem muito que se lhe diga e Iara demonstrou-o, mas também soube resumir numa só frase. “Tentar ser o mais variado possível e pelo menos 80% serem alimentos naturais”.

Apesar de reconhecer que com o orçamento a esticar e a falta de tempo, é quase impossível não se recorrerem a produtos processados, reforça que mesmo esses distinguem-se uns dos outros pelo tipo de ingredientes que têm.

“Implica alguma atenção mas em tudo tem de haver um equilíbrio e isso já fica muito da responsabilidade da pessoa. Há dias em que devem haver excepções nem que seja para a saúde mental”, disse, completando que “comer bem passa por manusear o alimento”.

Neste ponto a conversa escapou para as dietas e Iara Rodrigues deixou claro que comer de forma saudável é algo que tem de ser sustentado no tempo, embora as pessoas continuem a associar alimentação saudável a dieta e, por isso, só cuidem temporariamente do que consomem.

Mas a nutricionista deixou sempre o enfâse no meio termo. “Ser saudável também não é ser extremista. É substituir o pão branco por pão integral ou pão com cereais de melhor qualidade. Tudo faz falta ao nosso corpo. No entanto, podemos validar a qualidade e quantificar melhor as doses. É isso que vai fazer a diferença, não é ser-se radical”, rematou.

Por isso, a bola fica do seu lado e acabaram-se os telhados de vidro. Da próxima vez que for ao supermercado já sabe: faça valer-se da ‘cábula’ facultada pela DGS ou fique atento à lista de componentes nos produtos, que deve dar primazia aos ingredientes naturais.

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